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Como funciona os motores HIME
Se
você gosta de carros, provavelmente já ouviu falar do
motor HEMI. Se nasceu na década de 60 ou antes, deve se
lembrar do fenômeno criado pelos motores HEMI da Chrysler
nos anos 50, 60, e 70. Se você acompanha os muscle cars
("carros musculosos") ou as provas de arrancada, sabe que o
motor HEMI 426 é popular por causa de seu desempenho. É
possível que você também já tenha ouvido falar dos motores
HEMI que a Chrysler começou a usar nas picapes Dodge 2003.
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Foto: cortesia da
DaimlerChrysler
Dodge Ram
2003 com motor HEMI Magnum V8 de 5,7 litros |
Mas mesmo que você saiba pouco ou nada sobre carros e
motores, pode ser que a palavra "HEMI" ainda signifique
alguma coisa pra você. Ela se tornou um sinônimo de motores
grandes e potentes.
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Foto: cortesia da
DaimlerChrysler
Motor HEMI
Magnum V8 de 5,7 litros |
Neste artigo, você vai conhecer o motor HEMI e descobrir
o que torna motores que usam o design HEMI máquinas tão
incríveis.
Nasce o motor HEMI
O motor HEMI para carros surgiu em 1948 - Harry Westlake
e outros desenvolveram um motor HEMI de 6 cilindros para a
Jaguar. Alguns anos depois, em 1951, a Chrysler apresentou o
motor HEMI V8 de 180 cavalos-vapor (cv) em vários modelos. O
motor HEMI da Chrysler tem cilindrada de 5,4 litros (331
polegadas cúbicas) e por isso é conhecido como "HEMI 331".
Hoje em dia, 180 cv parece nada. Mas em 1951, 180 cv era
uma coisa inédita. Era uma potência impressionante para a
época, e deu vida à "lenda do HEMI".
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Foto: cortesia da
DaimlerChrysler
Dual Ghia com
motor HEMI 392 |
A Chrysler continuou a melhorar o design do HEMI,
lançando um motor de 5,8 litros em 1956, um de 6,4 litros em
1957, e por fim uma versão de 7 litros em 1964. O motor de 7
litros transformou o HEMI em lenda quando ele ganhou a
corrida da NASCAR Daytona 500 de 1964 em primeiro, segundo e
terceiro lugares. O HEMI de 7 litros de rua foi lançado em
1965, com 425 cv de potência.
O bloco e os cabeçotes da versão de 7 litros ainda hoje
são disponibilizados pela Dodge. O HEMI de 7 litros é um
motor popular em corridas de arrancada, de funny cars
(categoria de arrancada da National Hot Rod Association), e
muscle cars ("carros musculosos").
O que permitiu que o HEMI da Chrysler de 1951 produzisse
muito mais potência do que outros motores da época foi a
eficiência da câmara de combustão.
Em um motor HEMI, a parte de cima da câmara de combustão
é hemisférica - daí o "HEMI", como na
imagem acima. A área de combustão no cabeçote tem o formato
de meia esfera. Dizem que um motor como este tem "cabeçotes
hemisféricos". Em um cabeçote HEMI, a vela geralmente fica
no topo da câmara de combustão e as válvulas abrem-se em
lados opostos dela.
A maioria dos carros anteriores à década de 50 usava os
chamados cabeçotes planos (flathead), e ainda hoje
muitos cortadores de grama usam o design plano porque é de
fabricação mais barata. Em um motor de cabeçote plano, as
válvulas ficam no bloco e não no cabeçote, e abrem em uma
câmara ao lado do pistão.
O cabeçote de um motor com design plano é extremamente
simples - um fundido de metal sólido com um furo onde é
colocada a vela. O comando de válvulas no bloco empurra as
hastes das válvulas para abri-las, eliminando a necessidade
de varetas de válvula e balancins. Tudo é mais simples no
design de cabeçote plano. O problema do motor de cabeçote
plano é a sua eficiência térmica, que discutiremos a
seguir.
Prós e contras do HEMI
Há muitas peças diferentes de um motor que controlam a
quantidade de potência que você pode tirar de cada explosão
de combustão. Por exemplo:
-
é necessário queimar toda a gasolina do cilindro. Se o
design faz com que sobre gasolina sem queimar, é
desperdício de energia;
-
é necessário que ocorra pressão máxima do cilindro
quando o virabrequim está no ângulo correto, para que
seja extraída toda a energia da pressão;
-
é necessário desperdiçar o mínimo possível da energia do
motor ao aspirar ar ou combustível para dentro da câmara
de combustão e expulsar os gases de escapamento;
-
é necessário perder o mínimo possível de calor para o
cabeçote e as paredes do cilindro. Calor é uma das
coisas que gera pressão dentro do cilindro, então perda
de calor significa picos de pressão mais baixos.
Vantagens do HEMI
O último item da lista é uma das principais vantagens do
cabeçote do HEMI em comparação com um motor de cabeçote
plano. Área de superfície causa perda de calor. O
combustível que fica próximo às paredes do cabeçote pode
esfriar tanto que não queima de forma eficiente. No cabeçote
plano, o tamanho da área de superfície relativo ao volume da
câmara de combustão é grande. Em um motor HEMI, a área de
superfície é bem menor do que em um motor de cabeçote plano,
então menos calor é perdido e o pico de pressão pode ser
maior.
Outro detalhe do cabeçote do HEMI é o tamanho das
válvulas. Já que as válvulas ficam em lados opostos do
cabeçote, há mais espaço para elas. O desenho de motor que
precedeu o HEMI foi uma câmara de combustão em formato de
cunha, com as válvulas alinhadas umas às outras. O arranjo
em linha limitava o tamanho da válvula. Em um motor HEMI, as
válvulas podem ser grandes, aumentando o fluxo de ar dentro
do motor.
O Dodge HEMI Magnum
O motor Dodge HEMI consolida a tradição da potência do HEMI
na fabricação de um motor V8 de 5,7 litros com cabeçote
hemisférico.
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Foto: cortesia da
DaimlerChrysler
Motor Magnum
V8 HEMI de 5,7 litros do Dodge Ram 2003 |
O motor tem 345 cv e se sai muito bem em comparação com
outros motores a gasolina da sua categoria. Como, por
exemplo:
-
Dodge
V8 de 5,7 l - 345 cv a 5.400 rpm
-
Ford
V8 de 5,4 l - 260 cv a 4.500 rpm
-
GMC
V8 de 6,0 l - 300 cv a 4.400 rpm
-
GMC
V8 de 8,1 l - 340 cv a 4.200 rpm
-
Dodge
V10 de 8,0 l - 305 cv a 4.000 rpm
-
Ford
V10 de 6,8 l - 310 cv a 4.250 rpm
O motor HEMI Magnum tem duas válvulas e
duas velas por cilindro. As duas velas ajudam a resolver os
problemas de emissões dos motores HEMI antigos da
Chrysler. As duas velas iniciam duas frentes de chama e
garantem a combustão completa.
Desvantagens
Se os motores HEMI têm todas essas vantagens, por que não
são todos os motores que têm cabeçotes hemisféricos? Porque
há tecnologias ainda melhores disponíveis hoje.
Uma coisa que um cabeçote hemisférico nunca vai ter é
quatro válvulas por cilindro. Os ângulos das válvulas
seriam tão estranhos que seria praticamente impossível
projetar o cabeçote. O fato de ter duas válvulas por
cilindro não é problema em corridas de arrancada ou NASCAR,
pois os motores são limitados a duas válvulas por cilindro
nessas categorias. Mas nas ruas, quatro válvulas
ligeiramente menores deixam o motor respirar com mais
facilidade do que duas válvulas grandes. Motores modernos
usam o formato pentroof (telhado em "V"
invertido, em inglês) para acomodar quatro válvulas.
Outro motivo para motores de alto desempenho não usarem
mais o design HEMI é o desejo de criar câmaras de combustão
menores. Câmaras menores reduzem ainda mais a perda de calor
durante a combustão e também diminuem a distância que a
chama deve percorrer durante a combustão. Neste caso, o
formato pentroof também é útil.

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